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Canabidiol reduziu a ansiedade e fissura induzida por pistas em indivíduos em abstinência pelo uso de heroína: Canabidiol poderia ser alternativa no tratamento do transtorno de uso de opioides?

A grande disponibilidade e uso de heroína e analgésicos opioides tem resultado em uma epidemia sem precedentes. Essa crise levou a mais de 300.000 mortes relacionadas à opioides na última década nos Estados Unidos. Além disso, desde 2007 houve um aumento de 3.000% nos serviços médicos necessários para pacientes que usam opioides. Esse problema de saúde pública gera grande sofrimento psicológico para o indivíduo e família, além de gastos em saúde.

Atualmente o tratamento do transtorno de uso de opioides baseia-se predominantemente em farmacoterapias de substituição, utilizando outros fármacos opioides como a metadona e a buprenorfina. Essas farmacoterapias são associadas à acentuado estigma social e forte regulação governamental devido ao seu potencial de abuso e desvio para vendas clandestinas, o que dificulta o cuidado clínico e o acesso a esses medicamentos. Dessa forma, outras opções de medicamentos não-opioides são necessárias para o tratamento do transtorno de uso de opioides.

O canabidiol (CBD) é um fitocanabinoide, encontrado na maconha, mas diferentemente de outros compostos como o THC, não produz o “barato” característico. Estudos anteriores mostraram que o CBD reduziu o comportamento de procura por heroína em animais de laboratório em abstinência após a apresentação de pistas relacionadas à droga. Desta forma, neste estudo publicado em 2019, os autores foram explorar os efeitos da administração aguda e a curto prazo do CBD (Epidiolex) na fissura e ansiedade em indivíduos adictos em heroína.

Os participantes, homens e mulheres em abstinência de heroína, foram divididos aleatoriamente em 3 grupos, para receber CBD 400 mg, CBD 800 mg ou placebo. Foram avaliados os efeitos da administração de CBD agudamente (1 hora, 2 horas e 24 horas após administração aguda), a curto prazo (após 3 administrações em dias), e 7 dias após a última das 3 injeções. Os parâmetros observados foram a ansiedade e fissura induzidas por pistas  relacionadas à droga (exposição de imagens relacionadas ao uso da droga, como seringas, pó sendo inalado, etc), bem como afeto positivo/negativo, cognição e estado fisiológico (como frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e níveis de cortisol salivar).

A administração aguda de CBD, de forma dose-dependente, reduziu significativamente tanto a fissura quanto a ansiedade, além de atenuar o aumento da frequência cardíaca e de níveis de cortisol salivar, induzidos pela apresentação de imagens relacionadas ao uso de drogas. Estes efeitos foram particularmente evidentes agudamente (1-2h após a administração). O CBD também mostrou efeitos tardios significativos na redução da fissura e ansiedade 7 dias após o fim da administração repetida a curto-prazo (3 dias). Não houve efeitos significativos na cognição, e não houve efeitos adversos sérios.

Vale ressaltar que o pequeno tamanho da amostra não permitiu uma diferenciação da resposta entre homens e mulheres. Além disso, existem outros fatores limitantes do estudo que devem ser levados em consideração ao interpretá-lo para considerar uma possível aplicação clínica. Por exemplo, o possível uso de cannabis pelos participantes fora da pesquisa, diferenças individuais no metabolismo do CBD pelos participantes, influência no efeito observado de vestígios de THC (que podem ser encontrados no Epidiolex), entre outros.

Em conclusão, de forma geral o potencial do CBD em reduzir a fissura, ansiedade e parâmetros fisiológicos associados induzidos por pistas, juntamente com seu perfil farmacológico aparentemente seguro, indica que o CBD parece ser promissor no tratamento do transtorno de uso de heroína. O trabalho fornece uma forte evidência para que mais estudos envolvendo este fitocanabinoide sejam realizados a fim de investigar seu potencial uso no tratamento de transtorno de uso de opioides.

Referência: Hurd, YL et al. Cannabidiol for the reduction of cue-induced craving and anxiety in drug-abstinent individuals with heroin use disorder: a double-blind randomized placebo-controlled trial. Am J Psychiatry, 2019; 176(11). 911-922.

Por

Larissa Fernanda Matias Werworn, aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

 

Editado por Sabrina F. de S. Lisboa

 

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