Dor neuropática gera comportamento de ansiedade em camundongos
Resultados são consistentes com níveis de ansiedade em pacientes com neuropatia diabética Diversos estudos têm demonstrado forte relação entre a dor neuropática crônica e comportamentos tipo-ansioso e depressivo. A associação dessas doenças fica ainda mais grave quando acontece em pacientes jovens. Isto porque elas podem prejudicar o desenvolvimento neural, que ainda não está finalizado nesta fase da vida. Porém, ainda não se sabe ao certo como se dá a relação causa-efeito nestes casos. Sendo assim, é muito importante entendermos este processo para que novos alvos terapêuticos possam ser explorados. O estudo em questão utilizou dados pré-clínicos e clínicos para caracterizar a relação entre a dor neuropática e o comportamento ansioso e depressivo. Camundongos C57Bl/6 machos e fêmeas foram utilizados com 9 semanas de idade. Parte deles foi criada em condições normais (naïves) e a outra parte passou por um estresse crônico, podendo ser o estresse de separação materna, nado forçado em água gelada, redução do espaço da gaiola, privação de água, iluminação da gaiola durante a noite, entre outros. Em seguida, os dois grupos de machos ou fêmeas (naïves e estressados) foram re-divididos para passarem ou não por uma cirurgia de lesão do nervo isquiático para gerar a dor neuropática. Sendo assim, ao final do experimento existiam 8 grupos: os que não passaram nem por cirurgia nem por estresse (naïves/naïves); os que passaram apenas por uma das condições (naive/cirurgia; estresse/naive); e os que passaram pelas duas situação (estresse/cirurgia). Por fim, foram realizados testes para mensurar a sensibilidade a um estímulo doloroso (mecânico e térmico) e para testar os níveis de ansiedade dos animais (labirinto em cruz elevado, caixa claro-escuro e holeboard). Foi observado que em ambos os sexos o estresse causou um aumento no comportamento tipo-ansioso, porém este aumento foi maior nas fêmeas do que nos machos. Além disso, foi visto que, a longo prazo, os animais que passaram pela cirurgia e, portanto, apresentavam dor crônica, desenvolveram comportamento tipo-ansioso independentemente de terem passado por um estresse prévio. Isso demonstra que realmente existe uma associação entre dor e ansiedade. Por fim, foi realizada uma análise multivariada com pacientes com neuropatia diabética. Os participantes foram submetidos a um exame neurológico, testes sensoriais quantitativos, estudos de condução nervosa e biópsia de pele para avaliação da densidade das fibras nervosas intra-epidérmicas. Além disso eles responderam a questionários que avaliaram seus níveis de ansiedade. Foi observado que os pacientes que apresentavam níveis elevados de dor geralmente também apresentavam maiores níveis de ansiedade. Além disso, foi visto que a maior parte destes pacientes eram mulheres. Sendo assim, os dois estudos, clínico e pré-clínico, obtiveram resultados consistentes, dando grande confiabilidade ao artigo apresentado. Arthur Alves Coelho Referência: SIEBERG, Christine B. et al. Neuropathic pain drives anxiety behavior in mice, results consistent with anxiety levels in diabetic neuropathy patients. Pain Reports, [s.l.], v. 3, n. 3, p.1-11, 2018. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/pr9.0000000000000651
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