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Entendendo a depressão: como esse transtorno se tornou uma preocupação mundial e recebeu o título de o “Mal do Século XXI”.

Cada vez mais assuntos relacionados à saúde mental vêm ganhando espaço nas mídias para conscientizar e alertar a população acerca dos principais transtornos mentais que acometem a sociedade atual, como a Depressão. Nessa matéria, a pesquisadora Sâmia Joca, professora na Universidade de Aarhus (Dinamarca) e idealizadora do grupo NPP Lab, com vasta experiência em neurobiologia, neuroimunofarmacologia e mecanismos de ação de antidepressivos, conta como esse transtorno afeta a população, quais opções terapêuticas estão disponíveis atualmente e qual o papel da resiliência na melhora de quadros depressivos.

Considerado como o “Mal do Século XXI”, a depressão é um transtorno caracterizado por humor deprimido e uma série de outros sintomas com duração e intensidade inadequados, os quais levam o indivíduo a um estado de sofrimento. Essa enfermidade é considerada altamente incapacitante e em casos graves pode trazer riscos à vida.

Comumente o diagnóstico da depressão é mais facilitado em pessoas idosas, por isso dados estatísticos são mais observados nessa faixa etária. Todavia, essa é uma doença que pode atingir desde crianças a adultos, sendo o público feminino o mais afetado, o que pode ser explicado pelas recorrentes alterações hormonais que as mulheres sofrem ao longo da vida, como a menstruação, menopausa e período pós-parto, além de métodos contraceptivos que também causam modificações em hormônios do corpo feminino e podem interferir no desenvolvimento dessa doença.

Ademais, o público masculino costuma ser subdiagnosticado, porque ainda há um estigma muito grande sobre o homem e os cuidados com sua saúde mental. A figura masculina é, por muito tempo, associada a um símbolo de força e virilidade, o que dificulta a procura desse público por um acompanhamento psicoterapêutico.

As causas da depressão ainda não são bem elucidadas, mas existem evidências científicas que indicam que ela resulta de um complexo de fatores genéticos e ambientais (estresse, exposição a drogas, doenças inflamatórias) que culminam em alterações de neuroplasticidade no sistema nervoso e prejuízo de seu funcionamento, resultando em sintomas afetivos, cognitivos e neurovegetativos. 

Essa é uma doença que ainda não possui cura, pois pode reincidir em outro momento da vida. Entretanto, há tratamentos farmacológicos com resultados satisfatórios, que giram em torno de fármacos que agem com proteínas específicas no sistema nervoso, de modo a promover alterações nos níveis de neurotransmissores e aumentar a plasticidade neuronal e, com isso, recuperar circuitos que se encontram disfuncionais no paciente. Todavia, ⅔ dos pacientes submetidos à  terapia possuem resposta parcial a esses fármacos e ⅓ não responde ao tratamento. Para que haja resultado, o tratamento com esses fármacos precisa ser contínuo e sem interrupções, sendo que, dependendo da classe farmacológica, podem ser manifestados alguns efeitos adversos como insônia, sedação, dores de cabeça, constipação, diarreia, disfunções sexuais, ou outros sintomas provenientes de interações medicamentosas.

Atualmente há muitos estudos acerca da depressão, mas a ciência ainda precisa responder alguns questionamentos sobre esse transtorno. Sâmia Joca acredita que é preciso entender muito bem a neurobiologia para que seja possível propor tratamentos mais eficazes. Ainda, é necessário elucidar melhor como os fármacos agem no Sistema Nervoso Central para que possam ser identificados mais alvos comuns entre eles e assim avaliar o que provoca o efeito antidepressivo. Também é importante ressaltar a importância de atividades educativas para disseminar a informação sobre doenças mentais em geral e orientar que não é preciso ter vergonha de conversar sobre isso abertamente, de forma a reduzir os estigmas sobre a doença. 

Vale lembrar que, nesse transtorno, desenvolver mecanismos de resiliência é muito necessário, então informar a população sobre o que pode influir na resiliência, como controle de situações de estresse, atividades físicas e de lazer, pode contribuir muito para a melhora do quadro. Quando se trata de depressão, não se deve pensar no problema quando ele já existe, mas sim buscar esses mecanismos para evitar que ele aconteça ou se agrave.


Texto por Diogo Santos Campachi

Graduando em Farmácia pela Faculdade de CIências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

Editado por Sabrina F. de S. Lisboa


Referências:

https://www.pfizer.com.br/sua-saude/sistema-nervoso-central/depressao/depressao-em-mulheres - último acesso em: 25/04/2024

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