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Pacientes com transtorno de estresse pós-traumático severo apresentam alterações cardiovasculares e sinais de inflamação

A exposição a traumas severos, como guerras, desastres naturais, violência sexual, pode levar ao desenvolvimento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em indivíduos suscetíveis, que representam cerca de 8% da população mundial exposta a traumas. Além dos problemas psicológicos, os pacientes com TEPT têm um elevado risco para o desenvolvimento de outras condições patológicas, como hipertensão, doenças cardiovasculares e inflamatórias. Além disto, parece que a severidade de sintomas do TEPT está diretamente ligada a aumento do risco de doenças cardiovasculares. Embora os mecanismos ainda não sejam completamente esclarecidos, evidências mostram que existem alterações no sistema nervoso autônomo (SNA) destes pacientes. Literalmente o sistema nervoso que controla funções autônomas, que não dependem da nossa vontade. No TEPT relata-se aumento da atividade do SNA Simpático, conhecido como sistema de “luta ou fuga”. Este sistema é ativado em situações de perigo, promovendo reação de luta ou fuga, o que for possível, como forma de proteção. Imagine que você tem medo de cobra. O que você sentiria e faria se encontrasse uma cobra gigante na sua frente? Muito provavelmente nesta situação seria só a opção “fugir”, associada a alterações fisiológicas, como aumento da sudorese, frequência cardíaca, aumento do fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos (para correr), etc. Estas sensações são resultados da ativação do Simpático. Agora quando estamos relaxados, calmos, como após uma refeição, quem está atuando é predominantemente o parassimpático. Então sua ação é, na maioria das vezes, oposta à do Simpático. Pois bem. Além da hiperativação simpática, pacientes com TEPT apresentam redução do parassimpático. E isto parece ocorrer porque o sistema reflexo que deveria perceber a hiperativação simpática e “ligar” o parassimpático para atenuar o simpático, o chamado sistema barorreflexo, parece que não funciona de acordo. Resultado? O individuo se encontra sempre em estado de alerta, tem problemas de agitação, insônia, irritação, altos níveis de ansiedade, problemas cardiovasculares, entre outros. Além disto, estas alterações também podem contribuir para os indícios de inflamação que se observa no TEPT. Embora estas alterações sejam frequentemente observadas no TEPT, até que ponto elas são influenciadas pelos sintomas, não se sabia. Então um estudo nos Estados Unidos, com militares veteranos dos atentados de 11/09, comparou parâmetros cardiovasculares e inflamatórios de acordo com o diagnóstico: indivíduos que não desenvolveram TEPT (Sem TEPT), indivíduos com TEPT e sintomas moderados (TEPT M) ou com sintomas severos (TEPT S). O objetivo era testar a hipótese de que o TEPT estaria associado a maior atividade do simpático, maior inflamação, menor atividade do barorreflexo e parassimpático, e que a severidade dos sintomas estaria diretamente associada à intensidade destas alterações durante uma situação de estresse agudo. Foi observado, de forma geral, que embora a atividade simpática em repouso fosse semelhante entre os grupos, o sistema barorreflexo estava comprometido nos pacientes com TEPT severo. E durante o estresse mental agudo, a retirada do parassimpático foi exagerada nos pacientes com sintomas severos. Além disso, vários marcadores sistêmicos e vasculares de inflamação foram aumentados com o aumento da gravidade dos sintomas de TEPT.

Assim, sintomas mais severos do TEPT não apenas contribuem para aumento do sofrimento psicológico, mas também estão associados a maior risco de hipertensão e doenças cardiovasculares, que podem ser mediadas por maior inflamação e disfunção autonômica. Os autores sugerem que intervenções farmacológicas e não farmacológicas precoces para reduzir a inflamação e a atividade simpática, bem como o tratamento dos sintomas, particularmente os severos, do TEPT, podem ter efeitos benéficos a longo prazo no risco de doença cardiovascular e devem ser investigados.

 

Fonte: I.T. Fonkoue et al., Symptom severity impacts sympathetic dysregulation and inflammation in post-traumatic stress disorder (PTSD). Brain, Behavior, and Immunity 83 (2020) 260–269.

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0889159119307032?via%3Dihub

 

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