Estudo de pesquisadores brasileiro de diferentes instituições públicas evidencia mecanismos neurais envolvidos na esquizofrenia
A esquizofrenia é um transtorno mental crônico e, embora tratável, não tem cura. Por afetar as capacidades de pensar, de sentir e de se comportar dos indivíduos, a esquizofrenia pode ser também bastante debilitante. Embora as causas exatas ainda não sejam totalmente conhecidas, sabe-se que a combinação de fatores como genética, ambiente, desenvolvimento individual, e alterações químicas e estruturais do cérebro tem grande influência na etiologia do transtorno. Caracterizada pela desconexão de pensamentos e/ou experiências com a realidade (psicose), apatia, dificuldade de concentração e de memória, fala e comportamentos desorganizados e retraimento social, a esquizofrenia impacta diretamente na qualidade de vida do paciente e na dos indivíduos que convivem com ele (1). Uma das vias neurais envolvidas na esquizofrenia é a via Hipocampo-Córtex Pré-Frontal (HPC-CPF). Esta via é de particular importância para processos como memória de trabalho, tomada de decisões e processamento espaço-temporal (2). Em um indivíduo normal, a via HPC-CPF encontra-se mais ativa em situações de execução de tarefas e trabalho, por exemplo. Em pacientes com esquizofrenia, a via apresenta-se mais ativa em estado de repouso, contribuindo para o surgimento dos distúrbios de pensamento, característicos do transtorno esquizofrênico (3). Esse desbalanço da via HPC-CPF parece ser mediado, ao menos em parte, pelos receptores glutamatérgicos do tipo N-metil-D-aspartato (NMDA), que apresentam atividade diminuída em pacientes com esquizofrenia. Estes receptores participam de processos importantes como a plasticidade sináptica, e sua atividade diminuída tem como consequência prejuízos cognitivos, característicos da esquizofrenia (4). A maneira como plasticidade sináptica na via HPC-CPF afeta ou contribui para esquizofrenia ainda não é totalmente conhecida. Com objetivo de entender melhor estes mecanismos, um estudo coordenado por pesquisadores brasileiros da UFMG, USP-Ribeirão Preto, Instituto do Cérebro da UFRN (ICe) e UNIFESP demonstrou que a indução da plasticidade sináptica na via HPC-CPF pode ser uma estratégia para diminuir os prejuízos cognitivos causados pelo transtorno esquizofrênico (5). Usando o modelo animal de administração de cetamina e eletrofisiologia, os pesquisadores avaliaram o tipo de potencial de ação produzido na via HPC-CPF de ratos. A administração de cetamina produz um bloqueio farmacológico dos receptores NMDA, podendo levar ao aumento da atividade da via HPC-CPF em pacientes com esquizofrenia quando em estado de repouso e até mesmo produzir sintomas psicóticos em pessoas saudáveis, sendo, portando, uma ferramenta bastante útil para o estudo em questão. Texto por Aline L. Roncalho Aluna de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Editado por Sabrina F. de S. Lisboa Referências:
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